Frank chegou ao consultório da doutora Emily Jones ás 9 horas como previsto, estava ansioso, pois teria uma reunião de negócios muito importante naquela tarde, sua posição na empresa dependeria do fechamento de um grande negócio com uma empresa do Japão, mas ele precisava desabafar antes de continuar com sua vida e a hora certa era agora, não aguentava mais viver uma vida dupla e precisava compartilhar com alguém todo seu sofrimento, uma vida de mentiras agora seria exposta para alguém que não o conhecia, mas em sua mente ele precisava colocar seus demônios para fora antes que eles o consumissem por completo.
Como
CEO de uma grande empresa farmacêutica tinha muitas responsabilidades e quase
não tinha tempo para diversão, apesar de levar uma vida de Playboy. Festas e
jogos faziam parte de sua agenda, além de muitas drogas e mulheres, mas sua
preferida era a cocaína que ele chamava de "Paraíso de neve", seu uso
constante o deixava a maior parte do tempo irritado e muitas vezes sangrava
pelo nariz em plena reunião deixando todos preocupados, mas sempre tinha uma
desculpa e como era muito esperto todos sorriam de suas piadas.
Sempre
foi rico, seu pai era dono de vários hotéis na cidade de Nova York, foi criado
com muitas regras e teve uma infância bem complicada devido a um transtorno de
bipolaridade descoberto aos seis anos de idade. Tinha pavor de seu tio Eduard
irmão de seu pai, muitas vezes se escondia ao ver o tio chegando em sua casa,
era um menino muito bonito e chamava a atenção, seu tio sempre fazia
brincadeiras íntimas com ele que o deixava constrangido perante seus pais.
Muitas
vezes se escondia na cozinha e era acolhido por Mary, a empregada e sua babá
por muitos anos, tinha uma relação de mãe e filho com ela. Muitas vezes dormia
em sua cama, pois tinha pesadelos à noite e precisava ser amparado, pois
acordava aos gritos.
Passou
por vários médicos, mas nunca superou o trauma de infância. Com o passar dos
anos se afastou de sua família e se formou em administração de empresas, tornando-se
um empresário de sucesso. Enterrou seus medos no passado, mas às vezes a
escuridão tomava conta de seu coração e o tornava uma pessoa triste e violenta.
Suas
preferências eram prostitutas, muitas vezes as machucava, mas como era uma
pessoa muito poderosa o dinheiro comprava o silêncio das pobres mulheres. As
drogas e seu temperamento mais tarde iriam fazer com que sua vida se
transformasse em um inferno sem fim, cansado de viver uma mentira resolveu
fazer terapia depois de anos, o primeiro passo seria dado hoje com a Dra. Emily
Jones.
Capítulo
1 - Revelações
Frank
parou em frente à porta e ficou olhando para o nome escrito em letras
prateadas, Dra. Emily Jones -Terapeuta da mente e alma.
Por
um momento pensou em ir embora, mas criou coragem e bateu à porta levemente,
uma voz suave vinda de dentro o encorajou a entrar. Ao se abrir viu uma bela
mulher loira com óculos e ar de professora de ensino médio. Ela se dirigiu até
ele e se apresentou gentilmente com um sorriso no rosto.
-
Sente no sofá e fique à vontade, você deve ser meu cliente das 14 horas, Sr.
Frank W. Smith. Você por acaso não é filho do empresário Robert W. Smith dono
dos hotéis Wallace? Perguntou ela.
Frank
apenas acenou com a cabeça meio que sem graça, não queria seu nome associado a
seus pais.
-
Me diga Frank por que decidiu me ver, eu andei pesquisando sobre você e notei
que sua vida é quase perfeita, existe algo além do trabalho que incomoda você?
-
Na verdade eu não queria vir, mas não pude evitar, pois tenho muito que dizer e
me confessar para qualquer um não faz meu estilo, prefiro lidar direto com
profissionais e você parece ser a pessoa certa.
-
Fico feliz em ouvir isso, mas se confessar parece algo que uma pessoa com culpa
faria você não acha, você se sente culpado de algo, cometeu algum tipo de crime?
Saiba que existe o sigilo entre paciente e médico e nada do que disser vai sair
daqui, por pior que seja sua culpa.
-
Sim eu sei, me sinto culpado de viver uma vida dupla e tenho sangue em minhas
mãos.
-
Quando você diz vida dupla, você está dizendo que tem algum tipo de
bipolaridade?
-
Não vejo por esse ângulo doutora, eu sou uma pessoa com muitos traumas de
infância e esses demônios me acompanham o dia inteiro.
-
Quer falar sobre esse trauma?
-
É por isso que estou aqui, preciso colocar para fora todo esse sentimento que
me sufoca e me faz sentir ódio do mundo.
-
Que tipo de ódio é esse, por que o mundo de modo geral afeta você.
-
Não é o mundo e sim as pessoas que vivem nele, principalmente os homens.
-
O que os homens têm que você não gosta, existe alguém específico que você não
goste ou que tenha algum tipo de rixa?
-
Não apenas uma pessoa do passado, mas ela já morreu e levou um pedaço de mim
junto com ela.
-
E quem é essa pessoa Frank?
-
Meu tio Eduard, irmão de meu pai.
-
E que tipo de mal ele fez a você para odiá-lo tanto?
-
Eu fui abusado por muitos anos por ele e a única vez que tentei dizer aos meus
pais fui espancado, depois disso aceitei tudo em silêncio até meus 15 anos,
quando dei um basta, dei um soco em sua genitália e sai correndo, depois disso
ele nunca mais me tocou e nem sequer me olhou nos olhos, virei um fantasma para
ele, foi melhor assim, pois para mim ele sempre esteve morto e enterrado.
-
Sinto muito em ouvir isso Frank, mas você acha que o tempo não foi suficiente para
esquecer, você ainda carrega marcas do passado, como isso afeta sua vida depois
de anos?
-
Eu odeio os homens e suas mentiras, e odeio meu pai por ele não acreditar em
mim.
-
Você acha que um dia vai perdoar seu pai?
-
Nunca nessa vida, eu quero que ele morra com remorso e que nunca tenha paz.
-
E sua mãe Frank, o que você pensa sobre ela?
-
Minha mãe morreu quando eu tinha 20 anos, não pude ir ao funeral, pois não
queria encontrar meu pai e meu tio, mas visito seu túmulo em seu
aniversário.
-
O que você diria a seu pai se o encontrasse na rua?
-
Nada, ele não existe para mim, ele morreu há muito tempo só não sabe ainda.
-
Você acha que ele nunca vai se perdoar por ferir seus sentimentos?
-
Não nunca, ele é um homem frio e sem coração, vive de aparências e só pensa em
dinheiro.
-
O que você acha de trazer ele um dia aqui para conversar?
-
Isso nunca vai acontecer, pois ele está morto e mortos não falam e vou pedir a
você que nunca mais me fale sobre esse homem, ele não existe, estou aqui para
falar de mim.
-
Entendo, mas só queria chegar a um entendimento, mas notei que o problema não é
seu pai e sim algo que está no fundo de sua alma, algo te incomoda e você
precisa libertar o que tem dentro para ser livre novamente.
-
É quase isso, eu tenho uma alma sombria e essa escuridão às vezes me consome e
preciso fazer o que ela quer.
-
Você é capaz de fazer mal a alguém ou são apenas pensamentos?
-
Sim e já fiz muitas vezes.
-
Quem você machucou Frank?
-
No inicio batia em prostitutas, mas depois eu percebi que elas não eram o
problema.
-
E quem realmente é o problema?
-
Os homens são o problema, eles merecem ser punidos.
-
Você não acha que está projetando seu passado traumático em pessoas que não
fazem parte de sua vida.
-
Não de jeito nenhum, eles devem pagar pelos seus erros sem perdão.
-
Que tipo de erros você se refere, todos somos humanos e somos sujeitos a errar,
você não acha?
-
O homem quer poder e dinheiro, só assim pode se sentir superior em relação aos
outros e fazer o que quer sem nenhum tipo de remorso, eles devem ser punidos.
-
Mas você não acha que está sendo hipócrita, você também é homem e tem poder.
-
Mas não faço disso uma regra, eu me tornei uma pessoa melhor depois que deixei
meu pai para trás.
-
Então sei pai é o responsável por toda sua raiva?
-
De certa forma sim, por ser um homem frio e não apoiar o filho no momento mais
difícil de sua vida, ele não significa nada para mim, e cada vez que eu mato é
como se estivesse vendo seu rosto e do meu tio...
-
Você mata? Defina-me matar.
-
Eu sou um assassino e vou te contar como lido com minha raiva e como você falou
que o que eu disser aqui fica entre nós...
-
Sim o que você disser não vai sair dessa sala, por pior que seja.
-
Eu tenho um fetiche, um lado meu que se revela em cada sexta-feira da semana e
sai à procura de prazer e dor, eu me visto de mulher e saio à procura de homens
sem fé e sem alma, aqueles que o mundo nunca vai sentir falta.
-
E o que exatamente você faz com esses homens, os espanca e faz sexo?
-
Não, eu os mato sem piedade.
-
E o que você sente quando os mata, prazer?
A
Dra. Emily Jones não está acreditando no que está ouvindo, com uma cara de quem
duvida do que está ouvindo, e fica a cada momento surpreendida pela reação de
seu paciente.
-
Você acha que estou brincando, que vim aqui porque estou entediado com minha
vida, você não imagina o que é ser eu e viver uma vida de mentiras.
-
Eu acredito em você, me diga quando começou esse fetiche e quando aconteceu
pela primeira vez.
-
Eu me inspirei nas prostitutas que costumo sair, observei como elas andam se
vestem e como abordam seus clientes, e é claro naqueles homens que se vestem de
mulher. Tem muitos pervertidos nessa cidade que gostam de homens vestidos de
mulher, a maioria são homens casados e que tem medo de assumir sua real opção
sexual. São covardes que não pensam nas suas famílias e sim no seu próprio
prazer, pobres de espírito e pecadores aos olhos de Deus.
-
E você acha que o castigo deles é a morte?
-
Sim, morte e sofrimento.
-
Me conte como foi a primeira vez que você matou uma pessoa, e o que sentiu?
-
Eu sou como o Dr. Jakyll às vezes tenho que libertar o monstro dentro de mim. A
primeira vez não foi tão difícil como pensei, eu apenas fiz e foi como se minha
mente se libertasse de uma prisão. Senti-me muito bem na hora, foi algo
prazeroso e intenso. Lembro-me que tinha me arrumado como uma verdadeira
mulher, com uma peruca loira e saltos altos, um vestido preto batom e um bom
perfume. Eu estava na esquina perto de um Beco na Rua 34, quando um carro prata
encostou, era um homem gordo repugnante, ele me chamou e baixou o vidro, estava
suado e ofegante, perguntou quanto cobrava o programa e se eu fazia inversão de
papéis, o legítimo gay enrustido que se esconde atrás de uma mentira.
Combinamos o preço e eu pedi que ele encostasse o carro perto de um beco, a rua
estava bem calma apesar do horário, eram apenas 10 horas da noite. Ele desceu
do carro enquanto eu caminhava em direção ao beco escuro, quando chegou perto
tentou me beijar, eu segurei seu pescoço e pedi para ele colocar a língua para
fora, nesse momento tirei minha faca de caça e cortei sua língua pela metade,
ele começou a se sufocar com o próprio sangue e se curvou quase caindo ao chão.
Então eu puxei sua cabeça para trás e cortei seu pescoço de um lado a outro, o
sangue jorrou na parede e ele começou a se debater no chão. Fiquei ali parado
olhando ele morrer lentamente em agonia banhado em seu próprio sangue. Certifiquei-me
que estava morto, então peguei o corpo e coloquei em seu porta malas e dirigi
até o cais e empurrei o carro para dentro do rio, até hoje ele está lá
esperando para ser encontrado, depois disso fui para casa e tomei um bom banho
quente e tomei um copo do meu melhor Scotch e fui dormir.
-
E como você se sentiu no outro dia, foi um dia normal como todos os outros ou
você sentiu algum tipo de remorso?
-
Foi um dia normal como qualquer outro, trabalho e almoço de negócios.
-
Vamos falar um pouco de sua mãe, gostaria de saber como era sua relação com ela.
Frank
suspirou e baixou a cabeça como se aquilo fosse algo difícil de falar, sua mãe
foi a única que ficou ao seu lado nos momentos difíceis de sua infância.
Capítulo
2 - A mãe (Amor e sofrimento)
-
É difícil falar de minha mãe sem me emocionar, ela era uma pessoa doce e
carinhosa, nunca levantou a voz para ninguém e nunca me bateu, nem de
brincadeira. Ela era um anjo aqui na terra, mas infelizmente tinha um marido
que não a valorizava. Eu me lembro de me dizer para não esperar nada das
pessoas, que tudo que eu quisesse nessa vida eu teria que ir atrás, ela me
educou de maneira correta e me deu muito amor, mas infelizmente não foi o
suficiente. Meu pai por outro lado só me criticava e muitas vezes me batia, ela
sempre tentava me socorrer, mas acabava apanhando daquele maldito, pobre mulher
vivia acuada como um animal em uma gaiola, muitas vezes eu a encontrei chorando
escondida em seu quarto, mas quando eu perguntava dizia que era um cisco que
caiu em seu olho, mas logo ela abria um sorriso e me abraçava com ternura,
dizia que tudo iria ficar bem e que eu seria um homem bem sucedido e feliz, em
uma parte ela acertou. Minha mãe era a caçula de quatro irmãos, a menina frágil
e meiga, aos oito anos quase morreu ao ter leucemia, seu coração ficou frágil e
ao longo dos anos viveu a base de remédios e cuidados redobrados, mas o
que matou minha mãe não foi seu coração e sim o desgosto. Ela viveu anos
se dedicando a cuidar de mim, enfrentou um marido que a tratava como uma mulher
qualquer, ele nunca deixou minha mãe fazer nada na vida e a controlava como se
fosse seu animal de estimação, nem sair com as amigas ela podia e muito menos
sair de casa sozinha, a única companhia que ela tinha era eu, às vezes ela
ficava na varanda tomando chá olhando para o vazio, um coração cheio de dor e
quase vazio de sentimentos. Minha mãe nunca foi amada pelo meu pai, ela era um
brinquedo para ele, a hora que ele queria era só apertar um botão e lá
estava ela pronta para o que ele desejasse, era uma mulher submissa, mas ao
mesmo tempo tinha fé e essa fé fazia com que ela continuasse de pé, e claro
muito por minha causa.
-
Você acha que o amor que tinha pela sua mãe fez de você uma criança feliz, ou
os momentos ruins eram muito mais impactantes na sua vida.
-
Com certeza sim, me deixou mais forte apesar de ela não estar presente nos
momentos ruins, claro em alguns ela me socorreu, mas foram muito poucos perto
de todo sofrimento a que fui submetido na minha infância. Isso me faz lembrar
de um cliente que tive uns meses atrás, se é que posso chamar esses homens de
clientes, na verdade para mim eles são como gado prontos para o abate, só não
sabem o dia e a hora, mas estão condenados à morte, com certeza. Certa noite saí
como de costume, mas desta vez não estava vestido de mulher, fui apenas dar um
passeio para pensar um pouco e me distrair, não queria ir a um bar com amigos
ouvir conversa fiada sobre mulheres e negócios. Quando cheguei perto da Rua 53
vi um homem abordar uma prostituta e logo me chamou atenção o seu jeito de falar,
eu fiquei parado próximo a eles como se estivesse olhando mensagens em meu
celular. Foi então que percebi que ele era um tipo de cliente diferente, ele
perguntou para prostituta se ela poderia ser sua mãe por algumas horas, achei
aquilo muito estranho e me fez pensar que tipo de pervertido inclui sua mãe em
seus atos sexuais. Eles entraram em seu carro e foram embora, no outro dia eu
procurei a mulher e perguntei a ela o que ele queria na verdade, ela me disse
que ele colocou fralda e pediu a ela que colocasse talco em suas nádegas,
chupou bico e tomou leite, e queria a todo o momento que ela o chamasse de
filho, que tipo de gente faz esse tipo de coisa? Somente um pervertido sem
limites.
-
Mas você não acha que pode ser algum tipo de trauma de infância, ou talvez ele
não tivesse contato com sua mãe, ou ela o abandonou quando criança e isso seria
uma maneira de suprir a falta dela?
-
Pode ser que sim, mas ainda acho que ele é um pervertido que tinha atração pela
própria mãe.
-
E você o encontrou de novo ou nunca mais o viu?
-
Sim, ele foi especial de certo modo, um dos que mais gostei de matar pelo fato
de ser um pervertido diferente, ele queria sexo, mas queria que eu fosse sua
mãe naquele momento.
-
Por que ele foi tão especial?
-
Ele foi divertido por assim dizer, o fato de ele ter essa tara pela sua mãe
tornou a coisa mais divertida e especial, eu tive tempo de sobra com ele e pude
saborear cada ato de crueldade que fiz. Eu o abordei em uma noite fria de
sexta-feira, ele foi muito simpático comigo dizendo que adorava homens vestidos
de mulher, eu achei engraçado na hora, mas depois pude ver o tipo de homem que
ele realmente era. Eu tenho uma casa afastada da cidade, com um porão à prova
de som e quase não tenho vizinhos por perto, é um local aonde vou quando estou
precisando de descanso, e também serve como local de trabalho, onde levo alguns
de meus clientes, só os especiais, é claro, e o homem que estou falando foi um
deles. Quando chegamos eu servi uma taça de vinho e claro coloquei um sonífero,
que logo fez efeito, depois o levei para o porão e o amarrei em uma cadeira,
quando ele acordou estava sem roupa e com a boca costurada, não podia falar nem
se mexer. Quando acordou estava assustado e se debatia sem sucesso, eu fiquei
por um tempo olhando para ele como se fosse um brinquedo pronto para ser usado
pela primeira vez. A primeira coisa que fiz foi pregar suas mãos à cadeira com
uma pistola de pregos, ele começou a gemer e as lágrimas escorriam em seu
rosto, eu não podia estar mais feliz e comecei a sorrir de satisfação. Depois
eu cortei uma de suas orelhas, mas ele desmaiou então eu tive que esperar ele
se recompor, fui até a cozinha e comi um sanduíche e tomei um como de leite,
preciso me alimentar às vezes. Quando voltei ele já estava acordado e me olhava
com desespero, peguei novamente a pistola de pregos e coloquei em seu joelho
direito mais um prego, ele gemeu feito um porco e quando iria desmaiar eu dei
um tapa em seu rosto, eu já estava cansado, pois na verdade ele era um cara
muito sensível e não suportava dor. Em seguida coloquei mais dois pregos em seu
crânio e acabei com sofrimento, aquilo me deu paz e me senti bem, como se
tirasse um peso de meus ombros.
-
E o que fez com o corpo Frank?
-
Eu tenho um forno enorme no porão como aqueles de crematório, coloquei seu
corpo e esperei até sobrar só as cinzas.
-
Então sua casa é como se fosse um
matadouro?
-
Na verdade não, levo apenas aqueles que acho especiais e que merecem mais
atenção se é que você me entende.
-
Bom, eu ainda não estou convencida de tudo isso, talvez seja algo da sua cabeça
que veja em sonhos e você quer colocar para fora, por isso me procurou.
-
Não me ofenda doutora, o melhor está para o final e você vai saber que não
estou mentindo.
-
Você costuma guardar algum tipo de objeto de suas vítimas, ou alguma parte do
corpo como lembrança.
-
Não sou esse tipo de gente, eu apenas curto o momento, nada, além disso,
poderia tirar fotos, mas seria um pouco incriminador você não acha?
-
Com certeza seria uma prova contra você, algo que em um tribunal faria com que
você fosse condenado.
-
Não sou idiota a ponto de fazer isso, sou um homem inteligente e tudo que faço
tem um preço e esse eu não estou disposto a pagar, prezo minha liberdade e
minha vida até agora está muito boa.
-
E você não acha que está na hora de parar antes que você cometa um erro ou
alguém perceba o que está acontecendo.
-
Só vou parar quando estiver satisfeito, quando eu achar que devo, mas está
longe disso acontecer.
-
Você tem algum desejo de vingança contra seu pai?
-
Pai que pai? Para mim ele está morto há muito tempo.
-
Não existe uma pequena possibilidade de você perdoar seu pai pelo passado?
-
Eu já disse a você que meu pai morreu há muito tempo, acho que não estou sendo
muito claro ou você não quer me levar a sério.
-
Minha função aqui é tentar ajudar você é para isso que serve a terapia, não
quero que você se sinta desconfortável comigo, eu só quero seu bem.
-
Eu vim até você porque queria compartilhar meus pensamentos e você é alguém que
tenho me identificado nesse pouco tempo que estou aqui, e como disse antes o
melhor está por vir.
-
Você tem ideia de quantas pessoas já matou, tem um número aproximado?
-
Não costumo contar minhas vítimas, é algo que nunca pensei em fazer.
-
Por que se identifica comigo, você me conhece de outro lugar ou está fazendo
algum tipo de jogo comigo?
-
Não seria um jogo, mas algumas peças irão se encaixar ao longo de nossa
conversa.
Capítulo 3 - Jogo de xadrez
-
Você tem algum tipo de jogo preferido Frank?
-
Sim, gosto de jogar xadrez.
-
E você é bom nesse jogo, gosta de estratégias?
-
Sim sou muito bom em estratégias, sou corajoso, mas tenho muita cautela ao
jogar.
-
Então você se considera um estrategista?
-
Com certeza, na vida precisamos ser espertos e jogar sempre para ganhar.
-
Vamos jogar então, mas será um pouco diferente do xadrez que você está
acostumado.
-
Diferente em que sentido doutora.
-
Eu te faço uma pergunta e conforme a resposta eu digo xeque ou xeque mate, se
eu acreditar digo xeque, se achar que mentiu xeque mate. O que acha quer jogar?
-
Claro por que não? Pode ser divertido.
-
Você já amou alguém além de sua mãe?
-
Sim claro, eu sou humano.
-
Xeque, já passou fome ou roubou?
-
Não, nunca passei fome e nunca roubei nada de ninguém.
-
Xeque mate.
-
Por quê? É a mais pura verdade.
-
Não Frank, o momento que você mata alguém você está roubando a vida daquela
pessoa.
-
Isso não conta doutora, é trapaça sua, eu disse a verdade.
-
Vou deixar essa passar, me diga um arrependimento.
-
Não ter matado meu pai quando tive a chance.
-
Xeque, você sente atração por homens?
-
Não eu os odeio.
-
Xeque, você já me conhecia antes de me contratar?
-
Não.
-
Xeque mate, você está mentindo.
-
Sim você está certa, eu já conhecia você antes de vir aqui, eu a encontrei em
uma festa há um tempo atrás, mas juro que não sabia quem era você.
-
Eu sabia que já tinha visto você em algum lugar, xeque mate Frank.
-
Me diga o que você acha da Bíblia Frank.
-
Um livro bem escrito como qualquer outro.
-
E você já leu alguma vez?
-
Quem não leu doutora, é leitura obrigatória, acabou o jogo você não disse
xeque.
-
Na verdade sim, mas tenho algumas dúvidas a seu respeito.
-
Que tipo de dúvidas doutora?
-
Não sei, acho que você não esta me dizendo tudo, você é muito esperto.
-
Já disse, o melhor vou deixar para o final, você vai ficar surpresa com o que
vou revelar.
-
Não vejo a hora de saber desse grande mistério.
-
Você vai saber com certeza, mas deixe eu te dizer algo a respeito do xadrez.
-
Me diga algo que eu ainda não sei Frank.
-
No xadrez devemos observar nosso adversário como se fossemos nós mesmos,
adivinhar o próximo passo, pensar como ele pensa e nos colocarmos em seu lugar,
não se trata apenas de estratégia e sim de atenção e paciência. Cada passo,
cada olhar e cada gesto mostram o que será feito na próxima jogada, tudo
calculado e analisado através de seus olhos, os olhos falam por nós doutora.
-
É uma boa análise Frank, acho que você deveria ser terapeuta.
-
Obrigado, mas essa não é minha área, estou bem onde estou agora. Todo esse papo
de xadrez me fez lembrar de um cliente bem incomum.
-
E quem é esse cliente Frank, um jogador ou um apostador?
-
Um jogador de xadrez e dos bons para ser exato.
-
E o que aconteceu com esse cliente, você o matou?
-
No inicio não levei ele muito a sério, quando ele me abordou achei que era mais
um pervertido como qualquer outro, mas depois ele me convenceu. Ele me levou
até sua casa em um bairro muito nobre onde gente importante costuma morar. Foi
bem educado no começo, senti certo tipo de empatia por ele e comecei a
questionar o real objetivo de estar ali. Ele me perguntou se eu gostava de
jogar xadrez e claro que eu disse sim, então perguntou se eu queria jogar uma
partida. Eu concordei em jogar com uma condição, após três partidas quem
ganhasse poderia fazer o que quisesse com o perdedor e ele concordou.
-
E quem ganhou Frank?
-
Eu ganhei é claro, perdi no inicio, mas depois fui mais esperto e consegui
entender o seu raciocínio até que ele cometeu erros básicos, foi uma pena, pois
estava começando a gostar dele.
-
E por que você acha que começou a gostar dele, o que te chamou atenção?
-
Ele foi um adversário a altura e se mostrou um homem bem simpático, mas eu não
estava ali para fazer um amigo e sim para satisfazer o desejo que vive dentro
de mim, precisava libertar o monstro e alimentar meu ódio.
-
Você usa algum tipo de droga Frank, ou algum tipo de remédio controlado para
ansiedade ou sofre algum tipo de bipolaridade?
-
Apenas cocaína às vezes, em festas, ou antes, de reuniões, mas por que a
pergunta doutora?
-
Muitos problemas de atitude e até de mudança de comportamento são relacionados às
drogas, só estou tentando fazer uma análise do seu perfil, se você está sob
efeito de alguma droga pode alucinar e criar coisas em sua cabeça que não
existem.
-
Você não está me levando a sério mesmo doutora, o que mais preciso fazer para
você acreditar em mim?
-
Eu acredito Frank, mas não cheguei a um diagnóstico ainda, mas me diga o que
fez com o homem do xadrez?
-
Eu dei mais uma chance a ele, quando ele acordou estava num porão amarrado a
uma cadeira, ele se assustou e perguntou onde estava e eu disse que em minha
casa, agora ele teria uma última chance de sair vivo, uma pequena charada.
Esqueci de mencionar que em seu crânio eu coloquei um aparelho com pontas e
duas lâminas de cada lado indo em direção aos seus ouvidos, se ele errar a
charada o dispositivo aciona furando seu tímpano, enquanto as pontas furam seu
crânio. A pergunta é bem simples e tem a ver com o xadrez.
-
E qual era a charada Frank?
-
Na verdade eu dei três opções para ele com apenas uma chance de acertar, a
primeira resposta era xeque a torre, mas não mate o rei, a segunda xeque a
torre e deixe que eu mato o rei, e a terceira bispo diga ao peão para
checar os aposentos do rei e veja se ele está seguro, entendeu a charada
doutora?
-
Muito engenhoso de sua parte Frank, mas não teria como ele saber, a não ser
arriscar um palpite, pois essas perguntas não existem no xadrez.
-
Correto doutora, mas fica mais emocionante você não acha?
-
Acredito que ele não tenha acertado a resposta e você o matou, correto Frank?
-
Sim está correto doutora, ele não acertou e pediu muito por mais uma chance, mas
eu sou um homem de palavra, o final você já sabe.
-
E qual era a resposta correta?
-
A rainha sempre vai proteger o rei então a mais óbvia seria a terceira você não
acha?
-
Faz sentido Frank, mas acho que mesmo assim é algo que não tem como saber
naquele momento, o medo nos faz perder os sentidos e não raciocinamos direito,
pobre homem.
-
Foi divertido ver aquela máquina engenhosa fazer meu trabalho, o sangue
escorrendo e a expressão de dor em seu rosto, aquilo me deu muito prazer.
-
Muito cruel da sua parte Frank, mas acho que você está vendo muitos filmes de
terror.
-
Gosto de ser criativo doutora, não assisto filmes de terror, pois minha vida é
cheia de fantasmas e eles me assombram todo dia.
Capítulo
4 - O policial
-
Você já foi preso Frank?
-
Nunca fui preso, mas tenho bons amigo dentro da polícia, na verdade eu tinha um
cliente que era policial, mas ele já não está mais entre nós.
-
Como assim Frank você o matou, era um de seus clientes?
-
Sim de fato, ele foi por uma noite, é claro.
-
E esse policial era conhecido seu ou foi apenas uma coincidência?
-
Eu não o conhecia doutora, apenas mais um no meu caminho e não ligo para
rótulos, ou seja, quem for é apenas mais um na minha lista de depravados.
-
Me diga Frank o que você fez com ele, afinal um policial não pode desaparecer
sem que alguém perceba você não acha?
-
Existem certos tipos de policiais que ninguém vai sentir falta, os corruptos e
aqueles que usam de sua autoridade para se dar bem e esse indivíduo se encaixa
nesse perfil.
-
Eu sei aonde você quer chegar Frank, você acha que todas as pessoas são
descartáveis não é verdade?
-
Nem todas doutora apenas aquelas que não contribuem pra a sociedade, são como
ratos de laboratório prontos para serem sacrificados por um bem maior. Você é
casada doutora correto?
-
Sim eu sou, mas o que minha vida particular tem a ver com isso Frank?
-
Você vai entender mais para o final da consulta, você é feliz em seu casamento?
-
Não preciso responder, você é meu paciente e não sou eu que estou em análise.
-
Nossa doutora acho que toquei no seu ponto fraco, vejo que você mudou o tom de
voz e ficou sem jeito ao falar de felicidade, será que tem algo acontecendo em
casa?
-
Chega Frank vamos voltar ao caso do policial, se você continuar com esse
joguinho vou ter que encerrar nossa consulta.
-
Me desculpe doutora, não queria ofender.
-
Tudo bem Frank, vamos voltar ao caso do policial, o que aconteceu?
-
Eu já estava observando ele há muito tempo, notei que ele era um cliente
assíduo nas ruas e sempre aparecia na mesma hora, abordava prostitutas e
travestis. Numa certa noite ele me abordou, combinamos o preço e eu o levei até
a minha casa, quando entrei no carro ele já me avisou que gostava de usar
algemas e outras coisas, eu disse ok e continuamos. Chegamos em minha casa e eu
pedi que ele entrasse na garagem com o carro. Não queria deixar pontas soltas,
assim que entramos ele tentou me agarrar, mas eu recuei e pedi calma, ofereci
uma bebida para relaxar e é claro ele aceitou. Coloquei dois comprimidos de
sonífero, pois ele era um homem grande e queria ter certeza que ele iria apagar
logo. Quando ele acordou estava em uma mesa no meu porão preso com suas
próprias algemas, sua cabeça estava presa em um torno, você deve saber como
funciona com uma manivela que vai sendo girada e duas prensas pressionam o que
estiver entre elas. Ele não podia falar apenas me ver, como gosto muito de práticas
cirúrgicas eu costurei a boca dele como fiz em vários outros. Eu comecei a
girar a manivela aos poucos e ele começou a se debater e gemer, então eu parei
e deixei-o respirar um pouco, eu olhava para ele e perguntava, está tudo bem? Você
está confortável? E ele só gemia, foi bem engraçado no inicio, foi então que
girei mais e mais, ele não se mexia mais e seus olhos começaram a saltar e seu
nariz, boca e ouvidos começaram a sangrar. Foi então que ouvi um estalo e seu
crânio rachou e começou a jorrar sangue como uma cachoeira, seu olhos
explodiram ficando uma gosma branca e vermelha, seu maxilar entortou quebrando
sua mandíbula, eu apertei mais um pouco até que vi seu cérebro caindo no chão
como se fosse carne picada, foi lindo de ver doutora.
-
E o que você fez depois disso Frank?
-
Eu queimei o corpo e joguei o carro no rio, mas antes disso coloquei fogo e
limpei minhas digitais e guardei as algemas de recordação, é claro, uma pequena
lembrança do nosso querido policial.
-
O que você sente quando comete esses crimes, isso tem a ver com algo sexual ou
é apenas algo reprimido pelos anos de abuso na infância?
-
Não existe nada de sexual, eu nunca fiz sexo com esses homens e gosto de
mulheres, eu já disse a você antes, é algo que me faz bem, os homens são
criaturas ruins e merecem pagar pelos seus erros, eu faço justiça para aqueles
que não podem se defender, que vivem uma vida de abuso e se tornam pessoas
sofridas e acabam muitas vezes por acabar com suas próprias vidas, eu sou um
exemplo, pois se não tivesse saído de casa talvez hoje não estivesse aqui.
-
Eu entendo seu ponto de vista, mas não justifica matar essas pessoas, temos um
sistema judiciário para isso, todos têm direito a um advogado antes de serem
levados a uma prisão ou condenados a própria morte, julgados em um tribunal e
não em atos de pura crueldade.
-
Não me faça perder a fé em você doutora, eu sempre achei essas pessoas que
cuidam da saúde mental uns charlatões, mas você é diferente, então não me
faça mudar de ideia a seu respeito, por favor.
-
Todos temos nossas próprias opiniões Frank e todos devem ser respeitados, se eu
penso diferente de você não quer dizer que estou errada, e charlatões existem
em qualquer lugar, mas eu estudei muito e sacrifiquei muito da minha juventude
para estar aqui hoje e ser uma mulher bem sucedida e respeitada entre os
profissionais da minha área.
-
Concordo com você doutora, por isso eu escolhi você, mas tem algo muito mais
especial além de você ser uma mulher incrível, vamos para a próxima fase e que
será a mais empolgante até agora. Quero que você conheça a minha última vítima
e na verdade você já o conhece de longa data.
-
Como assim Frank, eu conheço a vítima?
-
Sim doutora, mas deixe-me dizer algo antes.
Capítulo
5 - A revelação (Grand Finale)
-
Nós já nos conhecemos doutora como você disse antes, você sabia que me conhecia
de algum lugar e é verdade, da festa de arrecadação do Hospital de Caridade. Eu
estava lá naquela noite e vi você com seu marido, também percebi uma certa tensão
entre vocês a noite toda, algo estava errado eu percebi.
-
Nós discutimos Frank ele não queria estar ali, eu faço parte da instituição e
era muito importante para eu ter seu apoio, mas ele acabou indo embora e não
voltou mais desde esse dia. Ele não responde minhas mensagens e não atende ao
telefone, não vai ao trabalho faz uma semana e estou muito preocupada.
-
Ele trabalha com o que doutora?
-
Ele é advogado Frank, mas o que isso tudo tem a ver com você?
-
Tem muito doutora, você vai entender onde quero chegar.
-
Não me diga que você...
Frank
interrompe com um gesto de mãos.
-
Calma doutora lembre-se do nosso acordo, tudo que é dito aqui fica entre médico
e paciente, pois tenha calma e vou te dizer quem é seu marido de verdade.
-
Estou ficando nervosa, preciso de um copo de água.
-
Está mais calma doutora?
-
Sim, pode continuar.
-
Você sabia que o seu marido costumava sair com prostitutas?
-
Não Frank, eu não acredito que ele era esse tipo de homem.
-
Naquela noite na festa depois que vocês discutiram ele foi embora e eu o segui,
ele foi direto para o local onde costumo frequentar, o lugar mais sujo da
cidade onde homens de má fé costumam buscar prazeres que não encontram em casa.
E ele não perdeu tempo e foi logo saindo com a primeira que viu, é doutora, seu
marido é cheio de segredos.
-
Como assim Frank, aonde você quer chegar?
-
Eu fiquei sabendo que ele gostava de se passar por mulher quando saia com
travestis, se é que me entende...
-
Você está me dizendo que ele era gay?
-
Não doutora, digamos que ele gostava de ser passivo quando saia com homens.
-
Isso é mentira Frank.
-
É verdade doutora, eu o segui por vários dias e ele sempre procurava por
prostitutas e travestis e fiquei sabendo que há muito tempo ele frequenta esse
local.
-
Não acredito estou chocada, você sabe onde ele está Frank?
-
Sim eu sei e logo você vai ficar sabendo onde ele está, mas lembre que existem
regras e o que eu disser é confidencial, não pode ser dito a ninguém.
-
Eu sei, mas diga logo, estou começando a ficar nervosa.
-
Eu fiquei indo por uma semana ao local onde ele costuma frequentar até que uma
noite ele me abordou, foi bem discreto e educado no início dizendo que era
casado, mas estava fora de casa já fazia alguns dias, me disse que não sabia se
iria voltar, pois tinha muitos segredos e não queria voltar para uma vida que
não era dele. Combinamos o preço e eu indiquei um local discreto que eu
conhecia, quando entrei no carro ele me perguntou se eu podia fazer o papel de
ativo, claro eu disse que sim. Quando chegamos ao local ele ficou meio
assustado, era um depósito abandonado a uns 200 metros do cais do porto, ele
perguntou por que não fomos a um motel, eu disse que costumava vir a esse local
e que era bem discreto. Quando entramos estava muito escuro, apenas a luz
do luar iluminava alguns espaços do local, luz que entrava através de algumas
janelas quebradas, mas que se fazia iluminar o necessário. Eu pedi a ele que
ficasse de joelhos e fechasse os olhos, ele concordou sem problemas, em seguida
peguei um pedaço de madeira e bati com força em sua cabeça, ele desmaiou na
hora. Está tudo bem doutora, estou vendo que você está com lágrimas nos olhos.
-
Estou bem Frank, só não estou acreditando em tudo isso mais parece um pesadelo
para mim.
-
Fique tranquila eu estou quase no final, como disse após ele desmaiar eu
coloquei uma fita em sua boca e amarrei seus braços e pernas em correntes que
encontrei no local, ele estava nu e suspenso no ar, esperei ele acordar, quando
me viu começou a se debater, mas eu pedi a ele calma e que tudo iria acabar
logo, eu disse a ele que iria visitar você em uma sessão de terapia e ele
ficou bem nervoso se debatendo sem parar. Eu então disse a ele que ficar
nervoso só iria dificultar mais as coisas, disse que não faria mal a você, foi
então que ele relaxou. Eu costumo deixar alguns itens nesse local, coisas que
uso com meus clientes e hoje eu tinha algo especial, um arco e flecha de competição
muito moderno e preciso, eu costumo treinar no clube que frequento. Ele me
olhou com medo nos olhos e começou a gemer algumas palavras, mas é claro eu não
entendi nada. Eu coloquei a primeira flecha e mirei em sua perna direita, o som
foi um osso quebrado, ele gemeu alto. A segunda flecha eu mirei no lado direito
acima do peito, foi certeiro no alvo, acho que estou ficando muito bom nessa
modalidade. Ele balançou a cabeça enquanto o sangue escorria em seu peito. A
próxima fecha foi destinada a seu pulmão direito e foi um completo estrago, ele
começou a sufocar então tive que tirar a fita em sua boca, ele começou a cuspir
sangue e não conseguia falar, eu pedi calma e que logo tudo iria terminar, pois
eu só tinha mais duas flechas. Eu mirei a próxima em sua barriga, ela foi
tão rápida e quando acertou seu estômago jorrou sangue feito uma torneira
aberta, ele não se mexia mais. Meu último ato foi uma flecha direto no coração,
ele levantou a cabeça e deu seu último suspiro, eu fiquei olhando para ele e em
seguida peguei um galão de gasolina que joguei em seu corpo, em seguida acendi
um fósforo e fiquei assistindo ele queimar. Aquele cheiro de carne queimada me
lembrou um restaurante que adoro e serve um ótimo filé bem passado, sua pele
começou a se desprender de seu corpo e a fumaça parecia dançar enquanto saia de
seu corpo levando todo o mal que nele existia, agora ele estava puro. Eu fui embora
com seu carro e o joguei no velho rio Woodson, depois fui para casa e tomei um
banho, comi algo com uma taça de vinho e fui dormir.
-
Eu ainda não acredito Frank, preciso de provas.
-
Aqui está o endereço onde seu marido está, vá até lá e veja se estou mentindo.
Agora preciso ir doutora, mas foi muito bom esses momentos que passamos juntos,
eu agradeço pelo seu tempo, mas lembre do nosso acordo, tudo que foi dito fica
nessa sala. Tenha um bom dia doutora.
Após
Frank sair, a doutora Emily cancelou todos os seus clientes da tarde, ligou
para a polícia dizendo que recebeu um bilhete anônimo a respeito de seu marido.
Quando chegou ao local indicado ficou em choque, Frank dizia a verdade e ela
jamais iria esquecer-se daquele dia em que ficou algumas horas frente a frente
com o homem mais cruel que ela conhecera em sua vida, ela jamais iria esquecer-se
dele e de todo mal que ele confessou a ela. Sua vida nunca mais seria a mesma,
seus sonhos agora eram pesadelos e ela não podia fazer nada, apenas aceitar a
verdade dos fatos.
Fim
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